Índios das 12 etnias que vivem no município de Oriximiná, no oeste do Pará, dentro da Terra Indígena Trombetas-Mapuera, tiveram uma motivação diferente para cruzar corredeiras rumo ao distrito de Cachoeira Porteira, uma área cercada por 85 quedas d’água, na última semana. Foram em busca do direito de existir como cidadãos, com registro de nascimento, carteira de identidade e carteira de trabalho. A ação de cidadania, que este mês coincide com a Semana Nacional de Combate ao Sub-registro, foi realizada por missão organizada pelo Governo do Pará, que aportou em Cachoeira Porteira depois de duas horas de vôo até a cidade de Santarém e mais 27 horas de viagem de barco pelo rio Trombetas, para providenciar os registros civis de indígenas, ribeirinhos e remanescentes de quilombos. Em três dias da “Caravana da Cidadania” foram feitos 102 registros de adultos e 120 retificações de certidões de nascimento de indígenas registrados com nomes portugueses, que queriam ter os registros com nomes indígenas. Os índios Tunayana remaram durante cinco dias pelo rio Trombetas. “Eu venho atrás de documento, viajei muito e passei por cachoeira grande e perigosa pra chegar até aqui e tirar identidade”, contou o cacique Kauba Tunayana. Para os Kaxuyana, a viagem durou quatro dias. Como a maioria dos registros é tardia e necessita da intervenção do Judiciário, a ação envolveu ainda o Tribunal de Justiça do Estado, o Ministério Público e a Defensoria Pública. De posse dos registros civis, os índios das aldeias da Trombetas-Mapuera terão acesso a políticas públicas e programas sociais de assistência, além do direito de votar e se candidatar a cargos eletivos.