O ex-deputado federal Humberto Michiles (PR-AM) foi nomeado ontem assessor especial do ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento. Michiles foi citado há dois anos pela Polícia Federal na Operação Navalha por supostas ligações com um lobista da empreiteira Gautama. A operação desarticulou em 2007 uma suposta máfia das obras. Zuleido Veras, dono da Gautama, é acusado de liderar o esquema de pagamento de propinas para autoridades públicas. A quadrilha atuava no Distrito Federal e em nove Estados, Alagoas, Bahia, Goiás, Mato Grosso, Sergipe, Pernambuco, Piauí, Maranhão e São Paulo, infiltrada nos governos federal, estadual e municipal. Segundo a PF, a quadrilha desviou recursos do Ministério de Minas e Energia, da Integração Nacional, das Cidades, do Planejamento, e do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes. Para obter vantagem nas licitações para obras públicas, a empresa pagava propina e dava presentes para as autoridades envolvidas. A estrutura da quadrilha se dividia em três níveis. No primeiro, estariam funcionários da Gautama, criada a partir de uma dissidência da OAS. O segundo nível seria composto por 11 pessoas, a maioria servidores que atuavam como intermediários perante os políticos e funcionários públicos, exercendo influência sobre eles para a liberação de recursos. No terceiro nível, estariam os agentes públicos municipais, estaduais e federais que, “praticando diversos delitos, viabilizam a atividade da organização na obtenção de liberação de verbas, direcionamento dos resultados das licitações”, entre outras fraudes.