O insondável mundo dos negócios italo-mineiros
A revista “Mundo Corporativo”, editada pela Deloitte no Brasil, em sua edição número 23, referente ao primeiro trimestre deste ano de 2009, publica matéria na sua coluna “Negócios no sertão do Brasil”, na qual afirma que, “no semiárido mineiro, a região menos desenvolvida do Estado, o Grupo SADA também encontrou oportunidades. Responsável pelo transporte dos automóveis da montadora Fiat no território nacional, o Grupo SADA (que tem 2 mil caminhões), já investiu mais de R$ 100 milhões de capital próprio no município de Jaíba, onde mantém uma área de 16 mil hectares. Em 2008 iniciou sua produção de etanol, com 22 milhões de litros e deve multiplicar por seis essa capacidade até 2010. Também esta instalada no local uma usina termoelétrica que será abastecida pelo bagaço de cana e terá energia excedente comercializável de 38 megawatts, suficiente para iluminar uma cidade com 250 mil habitantes”. Essa é uma informação considerável, que desperta muita atenção. Em primeiro lugar, o Grupo SADA pertence a Vittorio Mediolli, um italiano naturalizado brasileiro, que foi deputado federal até recentemente. A reportagem diz que a empresa de Vittorio Mediolli tem mais de 2.000 caminhões e investiu mais de 100 milhões de reais na produção de cana e energia no sertão mineiro. Ora, a empresa Deloitte, que está no Brasil desde 1911, e que é especializada no ramo das auditorias, deveria exibir números certos e confiáveis.
Ou estariam agindo também como essas empresas internacionais de análise de risco, que sempre mantiveram empresas e estados em desenvolvimento em baixo grau de investimento, justamente para que pagassem custos mais caros nas suas tomadas de empréstimos, e avaliaram sempre lá em cima seus comparsas no mundo industrializado, que acabaram estourando todos a partir de setembro do ano passado? De onde a Deloitte tirou esse número de “cerca de 2.000 caminhões” do Grupo SADA? Para que os leitores do Cartel Brasileiro entendam, porque a matéria da Deloitte não diz: o Grupo SADA domina o mercado nacional de transportes de veículos das montadoras brasileiras. São caminhões cegonheiros. Mas, o Grupo SADA teria os 2.000 caminhões, o que, em tese, atestaria a saúde financeira do Grupo SADE e sua musculatura para investir na produção de cana e energia no sertão mineiro? O Grupo SADA teria então 100 milhões de reais, de recursos próprios (dinheiro guardado em caixa) para investir na plantação e produção na área do biodiesel? A Deloitte está devendo uma explicação para os brasileiros. A Deloitte é auditora do Grupo SADA? Como pode afirmar tal coisa a respeito do Grupo SADA? O que é sabido, no Brasil inteiro, é que o Grupo SADA lidera o mercado de transporte dos veículos das montadoras brasileiras. Se a Deloitte não audita os números do Grupo SADA, e não os conhece, então não pode afirmar o que publica na sua revista. E, nesse caso, como os leitores não poderão contar com o Grupo Deloitte, só poderiam contar com o trabalho do Ministério da Justiça, por meio da sua Secretaria de Direitos Econômicos, que investiga a ação de empresas cartelistas. Isso é mais um caso para o Ministério Público Federal examinar com profundidade.
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