O caso Mário Gabardo - Crônica de um assassinato ainda sem solução - Capítulo 3 - Pai do Mário recebe a notícia e dá o seu depoimento
Anderson Rafael Walker ouviu barulho na frente da casa de número 258, local do churrasco, onde aguardava pelo amigo Mário Sérgio Gabardo. Ele saiu dessa casa e recebeu a notícia de que o amigo Mário Sérgio corria sério perigo, que tinha sofrido uma “tentativa de assalto”. Nesse momento Anderson tomou a iniciativa de ligar para o telefone do pai de Mário Sérgio. O empresário Sérgio Mário Gabardo foi assim rapidamente notificado de que tinha acontecido um atentado muito grave contra a vida de seu filho Mário Sérgio. Até esse momento, Anderson não havia relatado ao empresário Sérgio Mário Gabardo que o carro Peugeot 307 de seu filho Mário Sérgio tinha batido contra uma árvore na rua Conde de Porto Alegre, quase esquina com a rua da Figueira. Aliás, nesse instante, Anderson ainda nem sabia desses detalhes. Portanto, pelo horário registrado desse telefonema, pode se saber a hora exata em que foi cometido o atentado contra o jovem empresário Mário Sérgio Gabardo. Tão logo Anderson terminou a conversa com Sergio Gabardo, ligou então para o número de um dos telefones celulares de seu amigo Mário Sérgio. Foi então atendido por uma mulher, que havia retirado o aparelho do bolso do jovem empresário. Essa mulher, chamada Rosana de Oliveira Teixeira, é uma das moradoras da rua Conde de Porto Alegre. Mais adiante ela se tornou uma das testemunhas mais importante do caso. Rosana estava em sua casa na noite de 29 de setembro de 2005 e ouviu três disparos de arma de fogo na rua Conde de Porto Alegre, e a seguir novamente mais tiros. Viu também o veículo do Mário em cima da calçada, batido em uma árvore. Então ela se dirigiu até o local, onde ouviu tocar o celular de Mário Sérgio. Ela pegou o aparelho celular que estava no bolso da calça da vítima e atendeu a ligação. Sem saber que era Anderson, essa testemunha disse que o “dono do celular tinha batido o seu carro numa árvore” na rua Conde de Porto Alegre esquina rua da Figueira, e que o mesmo estava inconsciente. Anderson, conhecedor das ruas e avenidas daquele bairro canoense, sabia que estava a apenas duas quadras do acidente. Saiu em disparada, indo em direção a rua Conde de Porto Alegre esquina rua da Figueira. Ao chegar, Anderson viu a cena. O corpo do amigo Mário estava estendido no chão, em seu entorno, dois homens tentavam reanimá-lo. A mulher com quem havia falado instantes antes ao celular com Anderson, passou-lhe então o aparelho telefônico de Mário Sérgio. Anderson ouviu então tocar o segundo celular do amigo Mário e atendeu a ligação. Era o pai de Mário Sérgio. Nesse momento Sérgio Mário Gabardo recebeu a notícia sobre o que havia ocorrido com seu filho. Sérgio Gabardo em seu carro se dirigiu para a rua Conde de Porto Alegre, esquina com a Rua da Figueira. Ele chegou a tempo de acompanhar o atendimento no local a seu filho. A seguir Sergio segue com seu carro o trajeto desenvolvido pela ambulância que rumou para o Hospital Nossa Senhora das Graças, em Canoas. Poucos minutos depois, naquela noite de 29 de setembro de 2005, o jovem empresário Mário Sérgio Gabardo acabou falecendo. O depoimento de Sérgio Mário Gabardo, pai de Mário Sérgio, na 2ª Delegacia de Polícia Civil de Canoas, tomado apenas sete dias depois do falecimento de seu filho, revelou importantes detalhes até então desconhecidos pelas autoridades de segurança pública. Sérgio Mário Gabardo na 2ª. Delegacia de Polícia Civil de Canoas, com o objetivo de contribuir com os esclarecimentos dos fatos e a elucidação do crime, e a prisão dos criminosos, conta tudo o que sabe sobre a vida de seu filho. Está tudo no inquérito policial. O empresário gaúcho Sergio Mário Gabardo disse que seu filho tinha 20 anos, trabalhava na Transportadora Gabardo, sendo também sócio na empresa. Mário Sérgio era diretor de frota dos caminhões cegonheiros. A empresa atua no mercado de transporte de veículos novos. Mário estudava na PUC, no curso de Direito, turno da noite, tendo aulas na faculdade de segunda-feira a sexta-feira. Mário tinha por rotina iniciar sua atividade profissional às 8 horas da manhã na TransGabardo. Ele dirigia o seu próprio automóvel, um Peugeot 307. No final do turno diário de trabalho na TransGabardo, Mário ia direto para a faculdade em Porto Alegre, de onde retornava a Canoas por volta das 23 horas. À noite, em casa, Mário Sérgio jantava com a família e conversavam todos sobre assuntos pessoais e profissionais. Mário Sérgio tinha uma namorada desde janeiro de 2003. O pai sabia que seu filho Mário Sérgio mantinha por rotina (nas noites de quintas-feiras) participar de uma confraternização com os amigos. O evento era sempre promovido na casa de número 258 da rua Tomé de Souza, em Canoas. Mário Sérgio trabalhava no setor financeiro na TransGabardo e, no início do ano de 2005, passou a gerenciar a frota dos caminhões cegonheiros. Diga-se de passagem, uma importantíssima área estratégica para a empresa. Os caminhões são monitorados 24 horas, via rastreamento por satélite, equipados com computador de bordo, possuindo relevantes informações sigilosas da TransGabardo. Para controle desses dados, Mário Sérgio utilizava um notebook. Esse equipamento permanecia na empresa quando terminava o seu trabalho diário. No dia seguinte ao assassinato de Mário Sérgio Gabardo, ou seja, na data de 30 de setembro de 2005, ocorreu o furto do notebook que se encontrava em cima de sua mesa de trabalho na empresa Transgabardo. O pai de Mário Sérgio também informou a Polícia Civil que ele e o filho haviam recebido ameaças. Essas ameaças aconteciam em decorrência de Sérgio Gabardo ter formulado denúncias ao Ministério Público Federal, em Porto Alegre, que passou então a investigar a ação do “Cartel dos Cegonheiros”. Essa investigação se desenvolveu também na Polícia Federal. Uma testemunha importante no processo complementou o que disse o pai de Mário Sérgio. Em duas viagens ao interior do Estado do Rio Grande do Sul, o jovem empresário Mário Sérgio Gabardo sofreu dois acidentes com o seu carro, sendo que nas duas oportunidades parecia que seu carro tinha sofrido “fechadas” por outros veículos. E que, em Porto Alegre, duas outras situações deixaram Mário Sérgio preocupado. Uma delas quando Mário Sérgio retornava de suas aulas na PUC, à noite. Seu carro sofreu uma “fechada” de um outro automóvel. A testemunha relatou que, na segunda vez, essa bem próxima da data do assassinato de Mário, exatamente uma semana antes do crime, em um sábado, o jovem empresário e a sua namorada estavam passeando de carro, na estrada que liga a cidade de Porto Alegre ao município de Canoas, pela BR-116, quando repentinamente freou o seu carro. Assustado, Mário explicou a sua namorada que tinha freado porque um outro carro estava seguindo o seu. A mesma testemunha lembrou que, em 2004, Mário Sérgio e sua namorada estiveram na cidade de Gramado, na região da Serra, e que lá jantaram em um restaurante local. O casal sentou-se junto a uma mesa afastada das demais, quando dois homens, que estavam do lado de fora do restaurante, passaram a tirar fotografias de Mário Sérgio e de sua namorada. O jovem empresário Mário, em outra oportunidade, disse a sua namorada que deveriam ter cuidado em relação aos locais que freqüentavam, horários e veículos que poderiam segui-los, pois estavam recebendo ameaças do cartel dos cegonheiros, e que era para ela avisá-lo de qualquer suspeita que tivesse sido identificada. Essas declarações do pai de Mário Sérgio e dessa testemunha em especial, colocaram a Polícia Civil em outra posição, a de que não poderia o assassinato ser tratado apenas como uma simples tentativa de assalto seguida de morte. Há fortíssimos indícios de que não se tratou de uma “tentativa de assalto seguida de morte”. Como os leitores verificarão ao longo desta narrativa, toda amparada nos documentos recolhidos nos dois inquéritos policiais, há imensos buracos a confirmar que os indícios de um atentado deliberadamente preparado são muito fortes. Encerra-se o capítulo de hoje com um intrigante fato: um fato importante a ser considerado, o de que o Ford KA prata usado no atentado contra Mário Sérgio Gabardo nunca foi encontrado “abandonado” após esse crime de 29 de setembro de 2005. O carro tomou um sumiço total, o que é absolutamente anormal.

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