A epidemia de violência e insegurança que tomou conta de nossas vidas
Três anos e 11 meses! Este é o tempo que já passou sem que eu, o pai do Mário, tenha recebido qualquer satisfação sobre o que motivou a sua morte ou quem foram os mandantes. Mário, meu então único filho, foi assassinado em 29/09/2005 e o caso foi classificado como “tentativa de roubo de carro”. A perícia foi chamada pela polícia para atender “um carro atingido por arma de fogo”, isto umas 12h após o fato. Alguma coisa vai muito mal na nossa segurança pública. Uma constatação? O pior, entretanto, é perceber que nestes 3 anos e 11 meses venho lutando para dar um sentido.pelo menos, para a sua morte. Mas, que nada! Tantos outros jovens morreram depois dele e nada, absolutamente nada foi feito. Criei meu filho em meio a dificuldades de toda ordem. Minha determinação era dar-lhe uma formação que me orgulhasse como pai. Fiz isso! Consegui isso! Mas, quando eu me preparava para admirar o resultado de tanta dedicação, eis que o Mário me é arrancado do meu convívio. Os valores que me esforcei tanto para passar-lhe, a distinção entre o que é certo e o que é errado, a crença em Deus, a ser humilde e agir com bom senso em todas as situações da vida estão sendo colocados por terra. Os homens de bem, de repente, parecem terem desaparecidos, como se os valores que eu tanto me esforcei para passar ao meu filho Mário fosse mera ficção. Basta ligar a televisão ou ler alguma reportagem para perceber que a família está fazendo muita falta na formação de nossas crianças. A falta de limites é assustadora. Mas, eis que em poucos anos, estará no poder essa geração que cresceu sem limites. Se estamos vendo isso agora, imaginem o que acontecerá quando os filhos desses que estão aí, “governando”, assumirem o poder. Que moral tem um pai ao ensinar ao filho que roubar é proibido? Para dar um só exemplo, o Estado do Rio Grande do Sul possui uma Governadora que responde uma ação civil por improbidade administrativa junto a Justiça Federal de Santa Maria. Além disso, foi elaborado um pedido formal contra ela solicitando sua saída do governo, tendo em vista a quantidade de indícios apurados pelo Ministério Público Federal. No entanto, nada muda, por mais absurdo que possa parecer o pedido de afastamento da Governadora não foi aceito. Continuamos com uma administração irresponsável , políticos que se preocupam, apenas, em obter benefícios para si e para os seus, ignorando por completo o povo, com quem assumiram compromissos ao serem eleitos. A saúde está em franca decadência, a educação é precária e quanto a segurança nem há o que falar, porque se existe uma coisa da qual os brasileiros não dispõem é de segurança. Estamos diariamente a mercê da criminalidade, absolutamente expostos, nas mãos de marginais que agem livremente, certos da impunidade. O mais preocupante, entretanto, é que costumávamos encontrar esses marginais na rua mas, hoje, os encontramos no poder, servindo de exemplo e auxiliando os pais a educarem os filhos. O que podemos esperar do futuro? Entendo que vergonha já não é mais uma palavra capaz de representar o sentimento do povo brasileiro com relação a essa sequência interminável de escândalos que são noticiados diariamente. Vivemos em um país em que se ouve falar muito mais em maracutaias e corrupção do que em melhorias na segurança ou na saúde. Aliás, há muito tempo nossas autoridades não tomam medidas efetivas em prol da segurança, saúde ou educação. Continuo sendo vítima da falta de segurança e do completo descaso das autoridades, através de atos de vandalismo, e porque não dizer, atos de terrorismo. Não é possível que as autoridades que se dizem competentes continuem ignorando a epidemia de violência e insegurança que tomou conta de nossas vidas. Chega de tanto descaso, precisamos de providências urgentes e eficazes para acabar de vez com essa situação. Sérgio, PAI do Mário


