Revolta e indignação
Hoje, mais uma vez, a imensa saudade toma conta do meu peito e enche, como diariamente, meus olhos de lágrimas. São lágrimas de emoção, de revolta e de indignação, frente ao gigantesco descaso com que as autoridades da área da segurança pública tratam o assassinato do meu filho Mário. Um jovem de apenas 20 anos, que tinha, certamente, um futuro brilhante pela frente, e que foi brutalmente assassinado na noite de 29 de setembro de 2005.
E lá se vão cinco anos… 60 meses… 1.800 dias…
Nesse tempo todo, a única certeza que tenho, como Pai, é de que meu filho Mário nos deixou abruptamente e que essas autoridades, polÃticos carreiristas, nada fizeram para elucidar esse hediondo crime. Não tiveram profissionalismo e/ou vontade polÃtica para identificar os verdadeiros responsáveis ou mandantes e encaminhá-los para o julgamento da nossa Justiça (?).
É inaceitável que um Pai, como todo o direito que tem como cidadão comum, pagador dos seus impostos em dia, não tenha a resposta necessária que o caso exige. Não foram poucas as vezes em que mandei correspondências eletrônicas (centenas delas, milhares até) clamando para que essas autoridades, 99% delas polÃticas, fizessem alguma coisa: investigassem com isenção e profissionalismo o assassinato do meu filho Mário, que cursava (um orgulho para a famÃlia) Direito na PUC-RS.
Tudo em vão….
InsensÃveis…
Até correspondência de alto funcionário do Palácio Piratini, em nome da governadora (que está em busca de votos novamente) recebi, dando conta de que isso e aquilo seria feito, etc. e tal. Mas nada! Como se diz na linguagem popular, o papel aceita tudo, mas na prática, absolutamente nada foi feito.
Um escândalo!
E como eu, centenas de outros pais amargam a mesma desconsideração e descaso dessas autoridades, burocratas em sua essência, que por detrás de gabinetes suntuosos, ignoram o apelo, o clamor dos seus cocidadãos.
InsensÃveis!
Agora, nesta quarta-feira em que se completa cinco anos do seu assassinato, talvez essas autoridades (polÃticos) estejam pensando e agindo para que a morte do meu filho Mário caia no esquecimento, voltando a ser apenas mais um número na escandalosa estatÃstica dos crimes insolúveis pelo descaso e pela falta de vontade polÃtica, ausência de uma atuação eficaz.
Meu sentimento de Justiça continua latente e jamais se calará.
Estarei a cada dia, a cada minuto, clamando para que a Justiça seja feita, com a denúncia dos verdadeiros culpados pela morte do meu filho Mário.
Enquanto essa classe polÃtica prossegue sua caminhada, por vezes até desenfreada à caça de votos, minha missão é bem diferente: a busca da Justiça, bem distante de uma suposta vingança.
É meu direito de Pai, saber o que efetivamente aconteceu com meu filho naquela trágica noite de 29 de setembro de 2005, na cidade de Canoas, quando Mário se dirigia para encontrar colegas e amigos de infância, como fazia todas as quintas-feiras. Uma confraternização sadia, que foi suspensa por assassinos que até hoje estão sendo premiados com o instituto da Impunidade.
Com os olhos repletos de lágrimas de amor, estou mandando no anexo, o retrato da minha revolta e indignação, publicado nos principais jornais do estado do Rio Grande do Sul, deste dia 29 se setembro.
Obrigado novamente pelo apoio que sempre me deram.
Quisesse Deus que apenas uma dessas autoridades da Segurança Pública, me desse a atenção que cada um de vocês sempre me dispensaram.
Certamente a história seria outra..
Sergio, Pai do Mário
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