O único hospital do município de Cruzeiro do Oeste (noroeste do Paraná) foi fechado nesta segunda-feira depois de atos de violência de pacientes contra médicos e funcionários. Segundo o diretor clínico do Hospital e Maternidade Bem Jesus, Emmanoel Haji Antoniou, a agressão a um médico no sábado foi determinante. “Um clínico geral foi agredido e ameaçado de morte. E não foi a primeira vez que um profissional sofreu agressão física no pronto-socorro do hospital”, disse Antoniou. Há 15 dias, uma enfermeira também foi agredida por pacientes. O hospital, privado, foi reaberto há três anos após um contrato de gestão entre a direção e a prefeitura, administrada por José Carlos Becker de Oliveira e Silva, o Zeca Dirceu (PT), filho do ex-ministro chefe da Casa Civil, José Dirceu (deputado federal petista cassado por corrupção e destacado réu no processo do Mensalão). O hospital tem 40 leitos, sendo que 35 são destinados ao atendimento de pacientes do SUS (Sistema Único de Saúde). Nesta segunda-feira, funcionários do hospital fizeram uma passeata de protesto contra a violência pelo centro de Cruzeiro do Oeste (localizado a 572 quilômetros de Curitiba), município com 20.291 habitantes. Segundo Antoniou, a violência, com agressões verbais e físicas por parte de pacientes, levou a “uma dificuldade em encontrar profissionais com disposição para trabalhar no pronto-socorro e nos plantões”. O hospital funcionava com 12 médicos, de diversas especialidades, e 35 funcionários. Uma das alternativas para manter o hospital funcionando é colocar policiais militares para o serviço de segurança externa na instituição. Mas, Antoniou disse que não continuará na administração do hospital: “Para mim é definitivo, deixo o hospital. Sei que o município está contatando médicos para assumirem a gestão, mas eu estou fora”.