Empresários e sindicalistas pedem agora menos ‘spread’
Ao mesmo tempo em que apoiaram a queda de 1 ponto porcentual na taxa básica de juros (Selic), empresários e sindicalistas reclamaram que o Banco Central poderia ter ido além, diante da crise econômica considerada grave. O presidente da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio), Abram Szajman, disse que, finalmente, o BC compreendeu a gravidade da crise. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avaliou como “sensata e pragmática” a decisão do BC, mas destacou que só a queda da Selic não é suficiente. “São necessárias medidas que levem à redução do spread bancário, de modo a promover redução mais expressiva do juro para o tomador de crédito.” O spread é a diferença das taxas entre a captação dos recursos e a destinação final. O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Jackson Schneider, acha que a queda sinaliza uma retomada de consumo, mas não consegue avaliar se a medida vai frear demissões no setor. “É preciso ver como a redução chegará na ponta do varejo.” Humberto Barbato, da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), lembrou que a Selic é um mero sinalizador. Para o economista da Associação Comercial de São Paulo, Marcel Solimeo, a decisão do Copom de reduzir em 1 ponto porcentual a taxa básica de juros não surpreendeu. O presidente nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique, defendeu a redução do spread bancário como “a próxima luta” para melhorar o acesso ao crédito e dinamizar a economia.