Morre João Gurgel idealizador dos carros Gurgel
João Augusto Conrado do Amaral Gurgel, 83 anos, morreu ontem à noite em São Paulo. Ele estava internado no hospital São Luiz, na zona oeste da cidade. Gurgel sofria de mal de Alzheimer. Desde a sua juventude, sonhava em fazer um carro brasileiro, tanto que em sua formatura da Escola Politécnica de São Paulo, apresentou um pequeno veículo de dois cilindros, batizado de “Tião”. Como projeto pedido foi um guindaste, Gurgel é quase reprovado. Ouviu então de seu professor: “Carro não se fabrica, Gurgel, se compra.” Pós-graduado nos Estados Unidos, trabalhou na Buick Motor Corporation e na General Motors Truck and Coach Corporation. Em 1958, Gurgel criou a Moplast Moldagem de Plásticos e começou a desenvolver projetos próprios, tornando-se fornecedor de luminosos para diversas empresas brasileiras. Com o sonho em mente, fundou em 1969 a Gurgel Motores S/A. Sua carreira foi marcada pela busca do desenvolvimento de tecnologias automotivas nacionais, utilizando capital igualmente nacional. Característica marcante nos veículos fabricados por sua empresa eram as suas carrocerias de fibra de vidro. A partir de 1972 passou a dedicar-se à produção de veículos especiais.
Após 1975 começaram a ser produzidos os primeiros veículos utilitários tipo fora de estrada da marca Gurgel, marca que em 1981 lançou o primeiro veículo elétrico da América Latina, o Itaipu E-500. Idealizador do primeiro e até hoje, único carro genuinamente brasileiro: o BR-800. Era contrário ao uso do álcool de cana-de-açúcar como combustível. Ainda assim, produziu alguns carros com motor a álcool. Na grande maioria os veículos da sua marca eram movidos a gasolina. Sem dúvida o engenheiro João Gurgel deixou seu legado na indústria nacional.
Com a proposta de produzir veículos 100% nacionais, Gurgel montou em 1969 na cidade de Rio Claro (interior de São Paulo) a fábrica de carros que levava o seu nome. A montadora produziu mais de 40 mil veículos genuinamente brasileiros durante seus 25 anos de existência. Enfraquecida no mercado pela concorrência das multinacionais, a montadora de Gurgel encerrou as atividades em 1993. A última tentativa de salvar a fábrica foi em 1994, quando a empresa Gurgel pediu ao governo federal um financiamento de US$ 20 milhões, o que foi negado.