Em palestra realizada neste domingo em São Paulo, o delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz voltou a negar que tenha utilizado métodos ilegais durante as investigações da Operação Satiagraha –que resultou na prisão, em 2008, do banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity. Segundo o delegado, que se referiu diversas vezes a Dantas como “banqueiro bandido”, as informações coletadas ao longo da investigação foram obtidas “dentro da legalidade”. “Fala-se muito em possíveis excessos nos métodos utilizados. Mas todos os dados foram coletados com autorização judicial, tudo dentro da legalidade”, disse. Protógenes ficou conhecido nacionalmente durante a Satiagraha, que prendeu o banqueiro Dantas, o ex-prefeito Celso Pitta e o investidor Naji Nahas. Todos foram soltos depois. Apesar da projeção nacional, ele foi afastado da investigação e acabou virando alvo de um inquérito da PF que apura eventuais excessos cometidos na operação. Na semana passada, o caso sofreu uma nova reviravolta com a publicação de uma reportagem da revista “Veja”, que informou que entre os alvos de Protógenes estariam os ministros Dilma Rousseff (Casa Civil) e Mangabeira Unger (Assuntos Estratégicos), o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, o governador de São Paulo José Serra (PSDB) e o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, além do empresário Fábio Luiz da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O delegado negou todas as acusações da revista, que chamou de “mentirosas”. Protógenes reagiu às acusações novamente, e disse que os “poderosos” tentam transformar “vítimas em acusados”. “O privado tem se sobreposto ao público. Os poderosos tentam criar uma confusão para transformar vítimas em acusados, e acusados em vítimas”, disse. Segundo o delegado, no dia 1º de abril quando ele será ouvido pela CPI das Escutas Clandestinas da Câmara, em Brasília, o “povo vai conhecer a quadrilha de Dantas”. O delegado foi aplaudido em diversos momentos por uma plateia de cerca de 70 pessoas, durante o Seminário Estadual do MTL (Movimento Terra, Trabalho e Liberdade), em São Paulo.